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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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domingo, 8 de março de 2009

Reuniões com pais e alunos: argumentário

Sugiro aos colegas que organizem reuniões com pais e alunos nas quais expliquem as razões dos professores. Não esperem reunir grandes grupos: trata-se mais de lançar sementes do que de ceifar grandes colheitas.

Algumas ideias a passar (adaptar conforme as circunstâncias):

1. O principal direito e o principal dever dos professores é ensinar; o principal direito dos alunos é aprender, e o seu principal dever é deixar que os outros alunos aprendam. Estes direitos e estes deveres prevalecem sobre quaisquer outras actividades.

2. Todos os alunos têm direito a uma escola disciplinada e segura. A indisciplina é sempre uma agressão porque faz sempre vítimas. Infelizmente, não perece ser este o entendimento de quem nos governa.

3. A escola prepara para a vida. Como o trabalho faz parte da vida, a escola também prepara para o trabalho. Um aluno preparado para a vida está preparado para o trabalho, ou a um passo disso; mas um aluno preparado só para o trabalho nem para o trabalho está preparado.

4. Entre pais, alunos e professores, a responsabilidade maior, e a tarefa mais difícil, é a dos pais. Nem todos os pais estão em condições de apoiar os seus filhos no estudo, mas este não é o pedido principal que a escola lhes faz. O pedido principal que a escola faz aos pais é que se façam respeitar pelos filhos, ensinando-os assim a respeitar os professores, a autoridade e os adultos em geral.

5. A escola melhorou muito nos últimos 30 anos porque se abriu a toda a gente.

6. A escola piorou muito nos últimos 30 anos porque os políticos as obrigaram a adoptar teorias pedagógicas que não funcionam.

7. Os três grandes males da escola são a burocracia asfixiante, as teorias pedagógicas sem sentido e o incivismo generalizado. Contra o primeiro mal, luta-se através do voto. Contra o segundo, luta-se lendo os programas e os manuais; no caso de não entenderem o que está escrito nos programas, devem exigir às autoridades educativas que publiquem programas que façam sentido, que toda a gente entenda e com os quais a generalidade das pessoas esteja de acordo: os pais têm o direito de saber o que está a ser ensinado aos filhos.
Contra o incivismo, devem os pais adoptar uma política de tolerância zero em relação às agressões, insultos ou ameaças de que os filhos sejam vítimas, apresentando queixa tanto na escola como na polícia e exigindo punições a sério para os culpados. Os professores devem adoptar a mesma política em relação às agressões, insultos ou ameaças de que sejam vítimas os seus alunos ou eles próprios.

8. A agressão, o insulto e o palavrão não têm lugar na escola: nem de professor para aluno, nem de aluno para professor, nem de aluno para aluno. Um governo que desdramatize estas situações e tire aos professores e funcionários a autoridade necessária para as reprimir está a fazer uma má política educativa, da qual as vítimas principais são os alunos.

9. Os alunos mal comportados também têm direitos. Estes direitos não prevalecem sobre os direitos dos outros alunos, que o professor deve ter meios para defender.

10. É possível ganhar dinheiro sem nunca ter aprendido Literatura, História, Matemática, Lógica, Música e Filosofia. Também se pode ganhar dinheiro tendo aprendido isso tudo, e até é muito provável que se ganhe mais. Mas, mesmo sem ganhar mais, a vida de quem aprendeu é mais digna de ser vivida.

11. Onde há um professor e um aluno, mesmo debaixo duma árvore, há uma escola. Tudo o resto pode ser muito útil e conveniente, mas é dispensável. Na categoria das coisas dispensáveis está incluído o Ministério da Educação. Os países europeus onde o ensino é melhor são aqueles onde não há Ministério da Educação.

12. A maioria dos pais (infelizmente, nem todos) quer o bem dos seus filhos. A maioria dos professores (infelizmente, nem todos) quer o bem dos seus alunos. Os pais e os professores estão por natureza do mesmo lado. Os governos e os partidos políticos nunca se sabe ao serviço de quem estão.

2 comentários:

Anónimo disse...

Belíssimo argumentário. O número 3 parece ter sido inspirado na frase de Abel Salazar: "O médico que só sabe Medicina, nem Medicina sabe."
E Abel Salazar até de Medicina sabia.
Curiosamente, à frente da Educação, temos gente que nem de Educação percebe.

Fernando Nabais

Range-o-Dente disse...

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2009/03/argumentario.html

Cumprimentos,
RoD