FROM THE VERY DEPTH OF MY BEING, I CHALLENGE THE RIGHT OF ANY MAN, IN BUSINESS OR IN GOVERNMENT, TO TELL A FELLOW HUMAN BEING THAT HE OR SHE IS EXPANDABLE.
JIMMY REID

Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2012

Recapitulando

Pelo que nos juraram e trejuraram, era para ser assim: a austeridade ia reduzir o défice. A redução do défice ia dar confiança aos mercados. Esta confiança ia reduzir os juros da dívida futura, o que por sua vez ia estimular o investimento, tanto nacional como estrangeiro. Com tanto investimento, a economia ia crescer, o desemprego diminuir e os salários aumentar.

Bonito plano. Para ser perfeito, só lhe faltou funcionar.

Resta-nos agora decidir. Vamos dar à austeridade ainda mais tempo para mostrar o que vale? Ou vamos deitá-la para o caixote do lixo e substituí-la por políticas de crescimento? E se esta substituição tiver que ser feita contra os interesses imediatos dos alemães, vamos assumir o conflito?

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Somos governados por sádicos?

Duncan Black, o economista americano que publica o blogue "Eschaton", diz que não está a ser hiperbólico quando afirma que simComo explicação para o que considera ser o sadismo dos governantes, sugere a convicção que estes nutrem que é através do sofrimento em massa que se atinge o Paraíso. E pergunta, pertinentemente: O Paraíso de quem? Entre os setenta e tal comentadores deste post, um cita Lord Acton: é da natureza da carreira política atrair pessoas com mentalidade de gangster. Outro comentador dá uma explicação mais simples: "They do these things because they can." Isto é: mais que sádicos, são bullies. E é esta última explicação que me convence mais: lembra-me Passos Coelho e a eliminação da tolerância de ponto no Carnaval.

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Uma sugestão para o Governo Grego

Não para o actual, que foi nomeado pela troika e acredita piamente na flagelação e na penitência como caminho para o Paraíso neo-liberal. Mas para o que resultar das eleições previstas para a próxima primavera, se se realizarem (já há partidos que pedem o seu adiamento para 2013 como condição para aprovar mais austeridade).

O montante da dívida de guerra da Alemanha à Grécia é superior ao montante da dívida pública grega. Pode assim o Estado grego emitir títulos sobre a dívida alemã e dá-los em pagamento da sua própria dívida. Aos credores não será dado o direito de recusar: ou recebem os títulos pelo seu valor facial, ou a dívida é unilateralmente anulada pelo Estado grego em nome do Povo Soberano.

Os títulos que sobrarem serão colocados no mercado e vendidos pelo preço que este determinar, sendo o produto da venda aplicado num programa de investimentos públicos.

Problemas para a Grécia? Piores que os que ela já tem, é difícil.

Problemas para a Alemanha? Claro: em vez de lidar com um credor fraco passará a ter que lidar com vários credores fortes. Mas com os problemas da Alemanha pode a Grécia bem.

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Wenn's einen Krieg gibt, wollen wir 'raus.*

A CEE foi fundada com um objectivo bem definido e claramente político: romper pelo prazo mais longo possível com o estado de guerra que é historicamente o estado habitual, senão mesmo natural, da Europa.

Para servir este objectivo político, os pais fundadores estabeleceram objectivos económicos; e para servir estes objectivos económicos criaram uma arquitectura institucional que depois foi evoluindo até configurar a UE dos nossos dias.

Enquanto a ordem de prioridades se manteve clara - acima de tudo a Paz, e, subsidiariamente a esta, a prosperidade e a equidade - a União Europeia foi um espaço de esperança não só para os governos, mas também para sectores maioritários dos eleitorados. Com a passagem do tempo, porém, foi chegando ao poder uma geração sem memória directa da guerra; e aderiram à UE países, como Portugal e Espanha, que a não tinham sentido nos seus territórios e cujos cidadãos estavam mais motivados pela promessa de prosperidade do que pela promessa de paz. O capitalismo financeirizou-se, a economia real perdeu terreno para a economia virtual e os novos poderes financiaram a captura das instituições académicas por uma ortodoxia económica que os favorecia. No plano ideológico, o neo-liberalismo e as doutrinas monetaristas prevaleceram sobre as doutrinas keynesianas que tinham estado na base dos Trinta Anos Gloriosos do pós-guerra. A Europa virou à direita: os partidos trabalhistas, sociais-democratas, socialistas e democratas-cristãos desapareceram de cena ou transformaram-se - mesmo quando mantiveram as suas antigas designações - no braço político do poder financeiro. 

As formações políticas que herdaram os ideais de Willy Brandt ou Olof Palme são hoje, como o nosso Bloco de Esquerda, minoritárias, e apresentadas pelos media à opinião pública como extremistas e utópicas.

A ordem de prioridades a que obedeceu a fundação da CEE inverteu-se durante estas décadas. A UE deu a paz por adquirida e perdeu assim de vista a sua razão de ser. O objectivo absoluto, imposto ou auto-imposto a todos os Estados europeus, deixou de ser a paz e passou a ser o equilíbrio orçamental a qualquer custo. O próprio desenvolvimento económico e a produção de bens e serviços - a economia real - são objectivos tolerados desde que não comprometam, mesmo a curto prazo, os equilíbrios contabilísticos. No fundo da tabela de prioridades fica tudo o que é político: a democracia, vista como dispensável no paradigma tecnocrático, e com ela a equidade, a justiça e a própria paz.

Esta inversão, só por si, conduz-nos no caminho da guerra: conduzir-nos-ia nesse caminho mesmo que a ditadura financeira em vigor na Europa não se baseasse nas doutrinas e nas políticas económicas que vigoraram na Alemanha nos anos imediatamente anteriores à subida de Hitler ao poder. Não vou tentar quantificar a probabilidade dum conflito armado generalizado entre Estados europeus. Mesmo os que consideram esta eventualidade improvável reconhecerão, com certeza, que a mera possibilidade é grave demais para ser ignorada.

A paz na Europa não pode - nunca pôde - ser deixada à paixão nacionalista ou ao arbítrio dos mercados. Exige - sempre exigiu - uma vontade política consciente, respaldada numa arquitectura institucional que lhe seja especificamente dedicada.

Mas exige também, desde logo, a manutenção da paz social em cada um dos Estados europeus, especialmente naqueles em que os conflitos sociais têm historicamente contribuído para o desencadear de conflitos armados entre estados-nação. A conflitualidade social decorrente das medidas de austeridade impostas não pode ser vista como um acidente de percurso ou como um obstáculo ultrapassável à realização de um projecto europeu definido em termos contabilísticoa abstractos: tem que ser vista em si mesma como uma significativa derrota do projecto europeu original. A vontade de paz é uma vontade política, mesmo quando pressupõe, como muito bem compreenderam os Pais Fundadores da CEE, condições de ordem económica. 

No plano trans-nacional, não há paz sem interdependência económica. Foi esta a intuição genial que inspirou os fundadores de CEE. Mas também não há paz no plano trans-nacional sem paz no plano nacional - e daí a importância dada desde o início à coesão económica e social. A paz, como objectivo político, exige o aperfeiçoamento da democracia e não a sua erosão; diminuição das desigualdades e não o seu aumento; produtividade como um fim e competitividade como um meio, e não o inverso; liberdade de pensamento económico para que cada nação - e, dentro de cada nação, cada geração - possa gerir défices e superavits de acordo com a sua vontade política e com as doutrinas económicas que entenda mais adequadas. Quando a Alemanha impõe aos outros Estados e a si própria, por via constitucional, objectivos orçamentais que decorrem duma doutrina económica que está longe de ser consensual - nem entre as opiniões públicas, nem entre os economistas - não impede que outras doutrinas económicas surjam no debate público e académico ainda com mais força: impede apenas que se apresentem aos eleitorados em pé de igualdade com a doutrina oficial e que compita com ela pela via democrática. Quando as ideias estão impedidas de competir no espaço democrático acabam por procurar outras maneiras de se impor. Ilegalizar a social-democracia, como querem Merkel e Passos Coelho e como António José Seguro está disposto a permitir, não é a melhor maneira de assegurar a paz na Europa.

A União Europeia tem que ser refundada segundo uma linha condutora que refira ao seu objectivo político inicial toda a sua arquitectura institucional, incluindo os poderes e a missão do Banco Central Europeu. Tem que rever à luz desse objectivo os tratados de Roma, Maastricht e Lisboa. Para não ser apenas uma coligação de democracias em decadência, tem que se transformar ela própria numa democracia em crescimento. Tem que voltar a fazer prevalecer o político sobre o económico e o económico sobre o financeiro, se não quer que a dimensão política da vida se imponha descontroladamente, contra a vontade e o interesse de quase todos os europeus, sob a forma duma guerra.

Os países pequenos podem contribuir para esta mudança de paradigma insistindo, negociação a negociação, em pôr sobre a mesa o imperativo da paz. Mas não podem esperar até que a Europa, esse navio gigantesco, mude de rumo: têm eles próprios que assumir unilateralmente e desde já, no plano interno, que os seus responsáveis políticos foram mandatados e têm legitimidade para prosseguir, antes de mais, objectivos políticos; que é destes, e só destes, que devem decorrem as suas políticas económicas; e destas decorrem legitimamente as políticas financeiras. Esta ordem de prioridades deve ficar bem clara, não só internamente, como externamente: só ela permitirá traçar a linha no chão sem a qual todas as negociações entre os pequenos Estados e as instituições financeiras internacionais se traduzirão numa sucessão de recuos sem fim.

Um veículo entre outros para que Portugal pudesse notificar a União Europeia do quadro em que se propõe negociar de futuro poderia ser um pacto ibérico: um Pacto para a Paz e Neutralidade. Este pacto, fortemente publicitado, teria por fim evitar que uma eventual guerra europeia se desenrolasse em solo ibérico. Comprometeria ambos os países a organizar as suas forças armadas para a neutralidade, como faz a Suíça, e forneceria a fundamentação legal para que tomassem posições concertadas no âmbito europeu sobre tratados, contratos, entendimentos ou cláusulas que constituíssem, no seu entender, ameaças, ainda que remotas, para a paz na Europa.

Nenhum país europeu é tão grande nem tão forte que não possa ser liderado por pigmeus. E nenhum país europeu é tão pequeno nem tão fraco que não possa ser liderado por gigantes. O primeiro político que seja capaz de recordar à União Europeia a sua razão de existir, atingirá - seja ele português, búlgaro, grego, belga, luxemburguês - a estatura política dum Jean Monet ou de um Jacques Delors. E contribuirá talvez para salvar algumas dezenas de milhões de vidas humanas.


*Se houver uma guerra, queremos ficar de fora.

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

Em tempo de guerra todos somos keynesianos...

... e é por isso que inevitável é o keynesianismo.

Sábado, 21 de Janeiro de 2012

Howard's End de E. M. Forster

Este romance foi publicado em 1910 e é considerado por muitos a obra-prima de Forster. Transcrevo um excerto:


To all this Margaret listened, sitting on the haughty [German] nephew's knee.

It was a unique education for the little girls. The haughty nephew would be at Wickham Place one day, bringing with him an even haughtier wife, both convinced that Germany was appointed by God to govern the world. Aunt Juley would come the next day, convinced that Great Britain had been appointed to the same post by the same authority. Were both these loud-voiced parties right? On occasion they had met, and Margaret with clasped hands had implored them to argue the subject out in her presence. Whereat they blushed and began to talk about the weather.  "Papa,"  she cried - she was a most offensive child -  "why will they not discuss this most clear question?"  Her father, surveying the parties grimly, replied that he did not know. Putting her head on one side, Margaret then remarked:  "To me one of two things is very clear; either God does not know his own mind about England and Germany, or else these do not know the mind of God."  A hateful little girl, but at thirteen she had grasped a dilemma that most people travel through life without perceiving. Her brain darted up and down; it grew pliant and strong. Her conclusion was that any human being lies nearer to the unseen than any organization, and from this she never varied.

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Uma boa notícia para a nossa blogosfera económica

Um dos blogues que eu mais visito, o Triple Crisis, disponibiliza agora todos os seus artigos originais em português mediante um acordo com o blogue brasileiro do INESC. Os artigos originais do INESC passam também a estar disponíveis em inglês no Triple Crisis.

Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

As empresas têm direitos que as pessoas de carne e osso não têm.

Se a Jerónimo Martins pode mudar o seu endereço fiscal para a Holanda, porque é que eu não posso mudar o meu?

Em Louvor da Preguiça

No blog Rationally Speaking de Massimo Puggliacci.

Domingo, 1 de Janeiro de 2012

Resoluções de Ano Novo

De que vale ser um bom cidadão? De que vale cumprir as leis? De que vale pagar honestamente dívidas e impostos? De que vale ter filhos e educá-los? De que vale estudar? De que vale trabalhar? De que vale poupar?  De que vale respeitar os outros? De que vale isto tudo, quando o benefício material da virtude cívica vai todo para uns tantos super-ricos?

The 12 Most Hopeful Trends to Build On in 2012 by Sarah van Gelder — YES! Magazine

The 12 Most Hopeful Trends to Build On in 2012 by Sarah van Gelder — YES! Magazine