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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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quinta-feira, 26 de março de 2009

É sonso, ou é pulha?

Uma das coisas que mais me incomodam numa certa direita é a pulhice (não há outro nome) de chamar "inveja" a indignações que radicam na mais elementar decência. Vem isto a propósito do uso daquela palavra por José Sócrates quando Francisco Louçã questionou no Parlamento o enriquecimento de Armando Vara.

Não sei como é que Louçã reagiu a esta expressão, e não me compete defendê-lo. Pelo que me toca, se algum José Sócrates dissesse, ou insinuasse sequer, que eu tinha "inveja" dum fulano como Armando Vara, exigiria desculpas públicas; e se elas não me fossem dadas, pregaria dois estalos na cara do atrevido.

Entendamo-nos: Sócrates acusou Louçã de exprimir inveja, sua ou de outrem, em relação a um corrupto. Isto é um insulto pessoal grave e gratuito. E Armando Vara é corrupto: pode não o ser pela definição legal do termo, que é escandalosamente restritiva; mas é-o na substância, visto que converteu poder político em poder económico. Ou haverá alguém tão ingénuo que ache possível, numa sociedade de castas como é a portuguesa, que alguém, partindo de onde Armando Vara partiu, chegasse aonde ele chegou sem passar pela política?

Já escrevi neste blogue que não sei se José Sócrates é corrupto. Sei, sim, que é indulgente com a corrupção, que a facilita por sistema e que não se indigna com ela. E agora fiquei a saber que chama invejoso a quem se indigna.

2 comentários:

João disse...

Sócrates é destro na forma mas parco no conteúdo. Não me lembro de o ver discutir com profundidade qualquer tema, seja na Assembleia da República, seja nas inúmeras intervenções de propaganda em que se multiplica e com que somos bombardeados todos os dias nos telejornais. Ilude pelos conceitos vagos e pelos lugares comuns. Encena a fuga em frente, recorrendo ao insulto e à adjectivação paternalista.
Disse uma vez que o PS é um partido popular, não um partido de elites, apesar de defender as "elites" financeiras e económicas. Trata-se do preconceito provinciano perante a produção intelectual e a reflexão com a autoridade de quem sabe do que fala.
Daí o enorme vazio de ideias que atravessa hoje o PS e cujas consequências estamos todos a pagar.

Anónimo disse...

Sócrates é um vazio legal!