Ver um burlão burlado não é coisa que cause piedade ou terror. A OCDE pode fazer as avaliações que quiser pelos critérios que entender; o que não pode é fazer passar por técnicos critérios que são políticos - por mais rotineira que esta burla se tenha tornado em todos os debates, a começar pelo económico. Escrevi sobre isto na mensagem anterior: é tempo de passar adiante.
Blogue sobre livros, discos, revistas e tudo o mais de que me apeteça escrever...
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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.
..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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domingo, 12 de dezembro de 2010
Como José Sócrates enganou a OCDE, ou: afinal este Sócrates também é grego
domingo, 21 de novembro de 2010
José Sócrates lê o Capitalismo de Casino
O livro que o Primeiro-Ministro tem nas mãos, com a capa num ângulo tão conveniente para a fotografia, é o Casino Capitalism do economista alemão Hans-Werner Sinn. Quem lho terá recomendado? O sr. Jean-Claude Trichet, que, apesar de o ter elogiado em termos tão encomiásticos, ainda não deu qualquer sinal de ter aprendido com ele? O seu antigo professor de inglês técnico, como treino de leitura? Algum economista da ala esquerda do PS, se é que ainda os há? E será que ainda um dia o veremos a ler Os Donos de Portugal?
quinta-feira, 25 de março de 2010
Amanhã é um bom dia para derrubar o governo
Tudo indica que o PSD vai hoje viabilizar o projecto de resolução do PS de apoio ao PEC. Mais uma vez o PSD dá uma mãozinha ao governo de José Sócrates. Apenas o suficiente para o manter à tona, até sentir que tem condições para desferir a estocada final. Entretanto, os partidos de Esquerda, BE e PCP, saltam, gritam, barafustam, mas na realidade nada fazem para desmascarar o efectivo Bloco Central de Interesses que sustenta o governo de José Sócrates. E que aprecia sobremaneira o PEC. O Bloco Central de Interesses toma-nos por parvos. Quer que acreditemos que os candidatos a líderes do PSD estão sinceramente escandalizados com o facto do PS ter agendado a votação do seu projecto de resolução de apoio ao PEC para o dia anterior à eleição do próximo líder do PSD. O Bloco Central de Interesses toma-nos por parvos. Cria uma aparente dissonância entre os partidos, PS e PSD, que o sustentam, de modo a que seja esta a dominar a agenda mediática, deste modo mascarando as opções ideológicas plasmadas no PEC, e que no essencial merecem total concordância tanto de PS como de PSD. É evidente que o PS está a fazer um favor ao PSD, ao permitir ao seu próximo líder não ter de escolher já entre derrubar ou apoiar o governo. Porque não duvidem que o PEC é a trave central deste governo, liderado nominalmente por José Sócrates e efectivamente por Teixeira dos Santos. Uma rejeição do projecto de resolução do PS de apoio ao PEC levaria à demissão de Teixeira dos Santos, e estou certo que por arrastamento à de todo o governo. O Bloco Central de Interesses toma-nos por parvos. E os partidos de Esquerda, PCP e BE, nada fazem. Esperam por quê? O PEC apresenta-se como uma excelente oportunidade para mover a fronteira da discussão político-ideológica para a Esquerda, dividindo as águas entre quem apoia e quem contesta as políticas e motivações ideológicas plasmadas no PEC. Por tudo isto, a situação política exige a apresentação de uma moção de censura ao governo. Já amanhã. É preciso amarrar já o próximo líder do PSD ao governo de José Sócrates, desmascarando o Bloco Central de Interesses que nos governa, e demonstrando que a alternativa ao actual governo encontra-se à Esquerda. Há obviamente a possibilidade da moção de censura passar. Haveria então novo governo, se uma maioria parlamentar estável pudesse ser encontrada, ou, mais provavelmente, novas eleições para a Assembleia da República (pode ser dissolvida a partir de 26 de Abril). No segundo caso, os partidos de Esquerda teriam perante si um PS amarrado ao PEC, e portanto via aberta, de facto, para crescer eleitoralmente, congregando o voto de todos aqueles que se identificam com um mínimo dos princípios que norteiam a Esquerda.
Uma moção de censura ao governo, amanhã, já!
Este texto foi roubado ao VIAS DE FACTO. O seu autor é Pedro Viana
Uma moção de censura ao governo, amanhã, já!
Este texto foi roubado ao VIAS DE FACTO. O seu autor é Pedro Viana
domingo, 15 de março de 2009
Será José Sócrates corrupto?
José Sócrates é suspeito no caso Freeport. Podem as polícias e as magistraturas portuguesas não suspeitar dele - dão a impressão, de resto, que evitam diligentemente suspeitar - mas eu, por exemplo, suspeito. E suspeitam muitos outros portugueses, tenho a certeza. E suspeitam as autoridades britânicas.
Trata-se duma simples transposição da voz activa para a voz passiva: se alguém suspeita dele, é suspeito.
Como cidadão, perante a justiça, José Sócrates beneficia da presunção de inocência: deve ser considerado inocente até se provar que é culpado. Como político em campanha, perante os eleitores, não beneficia da mesma presunção: é culpado até se provar que é inocente, e assim é que está bem. Perante um tribunal, um réu pede que não o condenem, e numa sociedade civilizada tem direito a que o ónus da prova recaia sobre quem o acusa. Mas um político em campanha não é um réu perante um tribunal, a não ser em sentido metafórico. Não está a pedir aos eleitores que não o condenem: está a pedir-lhes que confiem nele. E para tal tem que ser ele a provar que é digno desta confiança.
Eu não quero José Sócrates preso sem provas cabais de que é culpado; mas também não o quero eleito sem provas cabais de que é inocente. Ao mostrar-se tão ofendido por suspeitarem dele e ao recusar-se a dar explicações, José Sócrates não afasta as suspeitas, só as reforça.
Os cidadãos eleitores, ao contrário dos tribunais, têm o direito de ter em consideração os antecedentes do acusado. No caso de José Sócrates, estes não são brilhantes: projectos de engenharia elaborados por outros e assinados por ele, o uso prolongado dum título académico falso, a obtenção deste título por processos lamentáveis, a sistemática obstrução, no Parlamento, de todos os projectos de lei que visassem dificultar a corrupção, a aprovação dum Código de Processo Penal que dificultou ainda mais a investigação e a prova nos crimes de colarinho branco, a colagem sistemática aos interesses do poder económico em detrimento do bem público: nada disto prova nada contra ele no caso Freeport, mas tudo isto torna plausíveis as suspeitas.
Quanto às promessas eleitorais não cumpridas, há uma que pode ter perdão e outra que seguramente não o tem. Se José Sócrates não cumpriu a promessa de criar 150.000 novos postos de trabalho, pode alegar que tentou mas não conseguiu. Isto aceita-se. Pode até tergiversar e dizer que nunca prometeu um saldo positivo na criação de emprego, nem que os empregos criados fossem melhores, mais bem pagos e menos precários do que os empregos destruídos: será mais um exemplo de trafulhice a juntar a tantos outros, mas quase se pode aceitar. O que não se aceita de todo é que tivesse prometido um referendo sobre o Tratado de Lisboa e não o tivesse feito. Se José Sócrates não cumpriu esta promessa, não foi porque não pudesse: foi porque não quis.
E não quis porque a Europa que ele quer é a que a oligarquia quer: uma Europa dos interesses contra uma Europa dos Cidadãos. O referendo foi sonegado aos eleitores para evitar que eles, votando contra aquela, abrissem caminho a esta.
Para José Sócrates exigir, como arrogantemente exige, que o consideremos acima de toda a suspeita, devia ter construído no passado uma reputação em que pudesse fundar esta exigência. Não a construiu. Pelo contrário, provou abundantemente que a mentira, a artificialidade, a superficialidade, o discurso vazio, a trafulhice, as explicações embrulhadas, a subserviência ao poder económico - incluindo o sector mais criminoso deste poder - são as marcas definidoras do seu estilo. Eu, pela minha parte, nunca lhe compraria um carro usado; muito menos votarei num PS de que ele seja líder.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
As irritações do Senhor José Sócrates
Questionado na Assembleia da República sobre a lei de avaliação dos professores, o Primeiro-Ministro declarou, com um ar muito irritado, que os seus adversários não queriam que o governo fizesse uma coisa que já devia existir há trinta anos.
Não, Sr. José Sócrates. O que já devia existir há trinta anos não era isto. O que já devia existir há trinta anos era uma avaliação que recompensasse os professores que ensinam bem e penalizasse os que ensinam mal. Não era esta geringonça que a sua Ministra da Educação inventou, este pesadelo burocrático que faz precisamente o contrário.
Não, Sr. José Sócrates. O que já devia existir há trinta anos não era isto. O que já devia existir há trinta anos era uma avaliação que recompensasse os professores que ensinam bem e penalizasse os que ensinam mal. Não era esta geringonça que a sua Ministra da Educação inventou, este pesadelo burocrático que faz precisamente o contrário.
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