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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Não é preciso ensinar, basta certificar.

Para o senso comum, os professores ensinam; e um bom professor é um professor que ensina bem.
Mas o senso comum não abunda lá para as bandas do Ministério da Educação. Nem o senso comum, nem sequer a mais elementar racionalidade.

Para o governo português, ensinar não é preciso. Um bom professor não é o que ensina bem. Para se ser considerado oficialmente um bom professor, o que é preciso antes de mais é ser um bom palhaço, para manter os meninos entretidos; um bom burocrata, para preencher dentro do prazo todas as grelhas, relatórios e formulários que a tutela inventa; e é preciso ser, sobretudo, um burlão talentoso, para colaborar sem problemas de consciência nas manigâncias certificadoras com base nas quais se simula o sucesso educativo.

3 comentários:

Range-o-Dente disse...

"o que é preciso antes de mais é ser um bom palhaço, para manter os meninos entretidos;"

Isso mesmo. É o ensino apelativo. É o apelativo transformado em sala de cinema: quanto mais rapidamente passar a aula e quanto mais "agarrados" estiverem os alunos ao "desempenho" do professor, melhor. O problema é que o "apelativo" não significa que se tenha aprendido algo.

Tudo coisas muito giras mas ... é preciso aprender. Para se aprender algo terá que ficar na memória e será preciso que, mais tarde, essa tal coisa se expresse sob a forma de algum tipo de desempenho.

O professor, hoje, espera que as respostas contenham, mais ou menos, as palavras que, mesmo que fora de contexto, estejam relacionadas com o assunto. Se isso acontecer, mais de 50% da cotação por pergunta estará garantida.

Logo depois o professor tenta evitar ter que fazer um plano de recuperação para o aluno ... como se um aluno fosse um electrodoméstico necessitar ser reparado, como se esse plano não fosse suposto ser apresentado pelo aluno, algo a que ele se comprometesse ...

Se eu pudesse contar as palermices em que me vejo metido ...

Se o professor aperta muito, os alunos escoicinham que o professor está em guerra com eles. Quando se deve haver uma guerra, mas entre alunos e matéria, eles acham sempre que se eles não aprendem será por a matéria não terá sido bem dada.

Pois. Quem vai ao cinema não quer sair de lá cansado.

Entretanto, o aluno, se lhe apetecer, da-se ao luxo de se manter no último ano e ir pedindo novas avaliações ... até enjoar.

A certa altura há que o despachar. Para onde? Para cima. Aprova-se o aluno e ele que vá encalhar para outro lado. O Ministério rejubila.

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José Luiz Sarmento disse...

Este governo está a prostituir os professores. O mal é que há alguns que aceitam isto...

Range-o-Dente disse...

"O mal é que há alguns que aceitam isto..."

A quase totalidade meu caro. Mas isso não são as más notícias.

As más notícias é que o fazem e não vêem nisso nada de estranho. Em boa verdade, muitos acham estranho, mas estão de tal forma afogados na coisa que não querem mais que se manter à tona.

Estou convencido que se tivessem hipóteses de fazer o que o meu amigo propõe, ficavam tão atrapalhados que ...

Quem vive demasiado tempo na lama ...

Então, e os paradigmas vertidos pelos génios não são para respeitar?

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