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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sábado, 29 de dezembro de 2007

Leitura a não perder

David Harvey mostra-nos neste livro, de modo sucinto mas bem documentado, o que o neoliberalismo é, de onde vem e para onde nos levará se não soubermos combatê-lo. No pequeno excerto que se segue encontramos exposta a tese geral do livro:

We can, therefore, interpret neoliberalization either as a utopian project to realize a theoretical design for the reorganization of international capitalism or as a political project to re-establish the conditions for capital accumulation and to restore the power of economic elites. In what follows I shall argue that the second of these objectives has in practice dominated. Neoliberalization has not been very effective in revitalizing global capital accumulation, but it has succeeded remarkably well in restoring, or in some instances (as in Russia and China) creating, the power of an economic elite. The theoretical utopianism of neoliberal argument has, I conclude, primarily worked as a system of justification and legitimation for whatever needed to be done to achieve this goal. The evidence suggests, moreover, that when neoliberal principles clash with the need to restore or sustain elite power, then the principles are either abandoned or become so twisted as to be unrecognizable. This in no way denies the power of ideas to act as a force for historical-geographical change. But it does point to a creative tension between the power of neoliberal ideas and the actual practices of neoliberalization that have transformed how global capitalism has been working over the last three decades.

É interessante que neste texto, como noutros de outros autores, comece a tomar forma a noção cada vez mais inescapável das relações entre as ideologias neoliberal e neoconservadora, bem como a relação entre estas e a etnocídio que está a ser a ocupação do Iraque.

2 comentários:

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

O problema talvez não resida no liberalismo, de resto uma excelente perspectiva da liberdade e da democracia, mas no excesso de Estado que funciona em diversas frentes como alavanca das novas elites, fazendo delas classes dirigentes, dominantes, e com poderes na propriedade. Aqui reside o núcleo da corrupção: excesso de Estado e promiscuidade corrupta de poderes. O liberalismo é claramente contra essa situação.
Quanto aos valores do conservadorismo,é uma questão de certa esquerda abandonar certas tolices do passado. Esquerda sem liberalismo é tolice.
Abraço

José Luiz Sarmento disse...

Concordo consigo que esquerda sem liberalismo é tolice. Mas estou cada vez a convencer-me mais de duas coisas: primeiro, que a expressão «neoliberalismo» é útil no debate porque corresponde a uma realidade coesa com existência na paisagem ideológica e política do nosso tempo; e em segundo lugar que o neoliberalismo está longe de ser um liberalismo - como de resto não é um humanismo.
Não sei se concordo muito com a asserção de Harvey de que o neoliberalismo ou é uma utopia ou é uma política. Compreendo que ele faça esta distinção por necessidade metodológica, mas na prática as manifestações utópica e política do neoliberalismo nunca ocorrem nem podem ocorrer independentemente uma da outra.
Um dos motivos de interesse do livro de Harvey é ele mostrar como o Estado é utopicamente atacado pela ideologia neoliberal e politicamente inflacionado pelos beneficiários dessa ideologia. O Iraque é um caso extremo de utilização do Estado para abolir o Estado.
A poeira ainda está a assentar. As correlações entre as políticas dos Chicago Boys no Chile de há trinta anos e as de Paul Bremer no Iraque de há três só agora começam a ser evidentes. Mas já é possível ir discernindo nexos que ou eu me engano muito ou vão estar bem no centro do debate político nos próximos anos.