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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Entrevista de Maria de Lurdes Rodrigues

Esta senhora, quanto mais fala, mais se enterra. Desta vez falou com a Visão. Eis alguns pontos em que deixou transparecer uma mentalidade que roça a abjecção:

"A escola não é para passar o tempo, é para as pessoas se qualificarem": Errado, senhora Ministra; errado, perigoso, criminoso, desumano: uma afirmação que só podia sair da boca dum bárbaro. A escola não é para as pessoas se qualificarem, é para as pessoas aprenderem. A qualificação vem por acréscimo, e ainda bem que vem: mas um professor que se preze forma pessoas, não fabrica mão-de-obra.

" Mas o que é que retirava [para reduzir a carga horária dos alunos]? Retira o Inglês ou as línguas estrangeiras? A Matemática? O Português?" Retiro a Educação Visual, cujo programa (se o tem) pode ser incluído na Expressão Plástica. Retiro a Área de Projecto, que é uma invenção sinistra destinada a dar uma aparência de nexo onde o nexo não existe. Retiro a Formação Cívica, porque para formar civicamente os alunos o que é preciso é discipliná-los e responsabilizá-los, e não impingir-lhes mais uma disciplina. Retiro a Introdução às Tecnologias da Informação e da Comunicação, porque é uma disciplina de banda estreita e não ensina nada que não esteja obsoleto daqui a dez anos.

"Não é dramático que os alunos não tenham música ou desporto na escola". É dramático, sim, senhora Ministra. É mais que dramático: é trágico. Esta frase, senhora Ministra, mostra bem quem a senhora é e em que conceito qualquer pessoa civilizada a pode ter.

"Essa história do tempo para brincar é uma história nova, que surge agora com a escola a tempo inteiro." Nova, senhora Ministra? Só se for para quem aterrou agora na Terra vindo de Marte, que é a impressão que a senhora dá.

"No passado era uma escola pública reduzida a mínimos absolutamente intoleráveis, uma escola que funcionava das nove à uma." Durante seis anos ensinei na Suíça, onde a escola funcionava das oito às doze e trinta. Toda a gente achava isto perfeitamente tolerável. E, por muito que lhe custe, as crianças aprendiam (mas já me estava a esquecer: a sua prioridade não é a aprendizagem, é a "qualificação", seja lá isso o que for).

"Nunca ouvi uma crítica ao tempo para brincar das crianças cujos pais andam com elas para a escola de música, para o ginásio, para a explicação, para aqui e para ali." Isso é falta de leituras, senhora Ministra. Leia mais livros. E se a sua intenção é impedir os pais de andarem com as crianças para aqui e para ali conforme entendem melhor, então está revelada a sua propensão totalitária.

"Em Portugal a maior parte das mulheres trabalham. E precisam absolutamente que a escola seja um espaço seguro e qualificado, ao qual possam confiar as crianças." E porque é que as mulheres trabalham, senhora Ministra? Por terem escolha ou por não terem escolha? Lá que precisam de um espaço seguro e qualificado ao qual possam confiar as suas crianças, lá isso precisam. Mas porque carga de água é que este espaço há-de ser a escola, que tem outras funções? (mas já me esquecia outra vez: a senhora Ministra não conhece nem reconhece estas funções).

"Felizmente, temos muitos professores que aceitam, querem e consideram que estas são formas de valorizar a escola." Pois temos: são os que dizem "póssamos" e "tivestes" e escrevem "andá-mos". Destes, podemos ter a certeza que já estudaram as grelhas de avaliação e estão mais que preparados para lhes dar a volta de forma a obter as classificações mais altas. São os aliados naturais da senhora Ministra nas escolas.

"Hoje, o País tem milhares de jovens diplomados a querer entrar no sistema de ensino." É curioso: olhando para os meus familiares e para os familiares dos meus amigos e conhecidos, o que eu vejo mais é jovens diplomados a emigrar. Não conheço um único que não reaja horrorizado à ideia de ser professor. Mas também não conheço nenhum que diga "póssamos": deve ser por isso.

9 comentários:

Anónimo disse...

Fez bom levantamento dos assuntos.
Cá para nós: ainda ontem na sala de professores a última coordenadora do dep de português (agora só há dep de línguas) perguntava animada a outra "tu fostes...". Nem ouvi o resto. Desandei envergonhada. Mas esta anda por aí a dar formações aliada a outra de mat que não sabe que sete meios é uma fracção maior que a unidade. Mas são também estas senhoras que andam na construção das grelhas, que querem muuitos indicadores de medida - contentes que andam com esta avaliação. Também têm poucas aulas para dar porque continuam a arranjar cargos que lhes retiram grande parte da actividade lectiva. É desta qualificação que a senhora ministra gosta.

António Chaves Ferrão disse...

Caro José Luis Sarmento
Como é que alguém capaz de exibir tão calmamente semelhante dose de ignorância está no governo, isso é que ainda não consegui perceber.
Post muito oportuno
Um abraço

dissidentex disse...

O mais espantoso é que esta pessoa acredita mesmo nestas imbecilidades que diz.

E ainda por cima é mentirosa como quando diz que as escolas trabalhavam das 8 à uma da tarde.

Andei na escola secundária já a mais de duas décadas e já nessa altura fechavam às 7 da tarde...

António Chaves Ferrão: é precisamente por ser tão ignorante que esta pessoa está no governo.
Essa é a condição essencial.

Uma pessoa que afirma numa entrevista que não é "dramático" que não existe música ou desporto na escola é ignorante e mais ainda do que isso.

Anónimo disse...

No pretérito perfeito, "andámos" existe:

http://www.conjuga-me.net/verbo-andar

"Retiro a Educação Visual, cujo programa (se o tem) pode ser incluído na Expressão Plástica. Retiro a Área de Projecto (...) Retiro a Formação Cívica, (...) Retiro a Introdução às Tecnologias da Informação e da Comunicação (...)."

Acrescento:

Retiro o Estudo Acompanhado:
Concentro algumas disciplinas não cumulativas, caso da Geografia(a minha área), Ciências Naturais, etc., em 2 anos de escolaridade(como acontecia na antrior reforma), em vez de estarem distribuídas por 3 anos com 90 minutos semanais.

Alexandre

José Luiz Sarmento disse...

"Andámos" existe, o que não existe é "andá-mos". Por razões fora do meu controlo, o hífen calhou em fim de linha....

Anónimo disse...

Li mal. Erro meu.

Alexandre

Range-o-Dente disse...

A ministra está louca. Não diz coisa com coisa. Puro solipsismo. "O mundo ao redor é apenas um esboço virtual do que o Ser imagina."

Entrou na segunda fase. Passou a "acreditar que as pessoas resultam também de uma experiência mental".

(aspas - wikipedia)

(logo que tenha disponibilidade mental respondo ao outro seu comentário)

C. Félix F. disse...

Haja gente crítica.
bem haja JLS.
CFF

Anónimo disse...

Olá... Chamo-me Joaquim Ferreira, mas sou Anónimo, por não ser "Blogger". Parabéns ao autor deste Texto. Li-o atentamente e apenas apelo a que visitem também o BLOG

http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/search?q=ministra&Submit=OK

Ao caro ANÓNIMO que noi fianl assina de "Alexandre" queria dizer-lhe que andá-mos existe, sim, mas sem ífen... Será que estava distraído!?
o autor do blog escreveu: são os que dizem "póssamos" e "tivestes" e escrevem "andá-mos". Note-se, que ESCREVEM. E esta palavra nunca existiu, nem memso no pretério perfeito.. Ok? vamos lá aprender a ler... antes de comentar! ATÉ BREVE.