...............................................................................................................................................

The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
....................................................................................................................................................

quarta-feira, 26 de março de 2008

Feras ou bons selvagens?

Os gatos são pequenas feras. Basta vê-los caçar para entender isto. Fazem o que querem, não são socializáveis, e quando os temos ao colo e lhes fazemos festas sabemos muito bem que se pesassem 50 quilos em vez de cinco eram perfeitamente capazes de nos fazer em pedaços e de se porem depois a lamber o pelo com o ar mais plácido deste mundo.

Apesar disto gostamos deles. São tão belos - a seguir a uma árvore um gato é a coisa natural mais bela do mundo - que lhes perdoamos tudo.

Por maioria de razão perdoamos tudo às crianças. As crianças, não nos limitamos a gostar delas como gostamos dos gatos: amamo-las como seres humanos que são, de cuja felicidade depende a nossa. E no entanto, até Rousseau, toda a gente teve como evidente que as crianças são feras e que a educação consiste em humanizá-las: ou seja, em fazer delas outra coisa, uma coisa melhor, que elas por natureza não são.

Rousseau convenceu muita gente, mas não convenceu toda a gente. Ainda hoje muitos iletrados intuem, e muitos especialistas concluem, que as crianças não são bons selvagens a quem basta deixar desenvolver naturalmente, com algum pouco encaminhamento no bom sentido, para que se tornem em adultos livres, felizes e virtuosos.

São, portanto, para muita gente, feras. E eu confesso que partilho esta noção. Apresso-me a acrescentar que não quero metê-las em jaulas nem tratá-las a chicote: são feras, sim, mas feras que podem e devem ser amadas.

O problema - o facto da vida que nos custa a aceitar - é que não basta amá-las: é preciso também domá-las e ensiná-las. É o nosso dever. E parece-me que cada vez menos temos estômago para o cumprir.

5 comentários:

Range-o-Dente disse...

Muito bem.

.

Range-o-Dente disse...

Com oferta de link:

http://fiel-inimigo.blogspot.com/2008/03/mediao-em-porradaria.html

.

brit com disse...

Gostei da analogia... (Falo pelas duas feras que tenho em casa...lol)

Carlos Medina Ribeiro disse...

Caríssimo,

Se afixar o texto deste seu post (ou outro de teor semelhante) em

http://portugaldospequeninos.blogspot.com/2008/03/m-educao_27.html

poderá ter uma boa surpresa!

Abraço

CMR

JPT disse...

a minha gata joana dá-nos cabo dos sofás (uma despesa estrutural cá de casa). dizem-nos amigos com gatos que somos maus pedagogos