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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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terça-feira, 1 de abril de 2008

Equilíbrio e moderação

Comparando a intervenção de Paulo Guinote nos Prós e Contras de ontem com a de Joana Amaral Dias pareceu-me não poder haver maior contraste. Guinote foi equilibrado, moderado, consciente da complexidade e dos matizes do tema tratado. Joana Amaral Dias, pelo contrário, foi extremista, desiquilibrada, simplista e dogmática. Arvorou durante todo o programa uma expressão indignada, e de cada vez que a câmara a focava durante uma intervenção com que não concordasse assumia a linguagem corporal de quem está a ser esbofeteado. As suas posições são obviamente matéria de fé e não admitem contraditório. Daí a espécie de ultimato que fez aos restantes intervenientes e a todos nós: ou ela, ou o fascismo.

Comparem-se as duas posições em matéria de autoridade: para Joana Amaral Dias a autoridade do professor é uma coisa que se conquista - e só isso. A questão do poder, e a associação do poder à autoridade, são coisas que Joana Amaral Dias prefere não discutir. Para Paulo Guinote a autoridade é isso mas também o poder de coerção delegado pelo Estado. Ao mundo perfeito postulado por Joana Amaral Dias opõe Guinote o mundo real. Guinote tem uma posição mais realista, equilibrada e moderada, mais fundada nos factos; mais inteligente, em suma. Mas também mais complexa e matizada, e em televisão o complexo e o matizado têm dificuldade em passar. Considerando esta dificuldade creio que Guinote se desenvencilhou muito bem.

5 comentários:

Anónimo disse...

Subscrevo.

Abraço.

Paulo Prudêncio.

PM disse...

Que mais posso dizer, que concordo. E é por isso que o programa me pareceu estar constantemente a fugir do essencial. Se o princípio da delegação de autoridade está a erodido não vale a pena falar de internet, álcool, televisão, desagregação da família e todos os putativos males da sociedade. O Paulo Guinote tentou dizê-lo mas não sei se conseguiu fazer passar a mensagem: que é, no mínimo, pouco produtivo partir sempre do zero de cada vez que um professor e um grupo de alunos se conhecem. No máximo, pode dar azo a situações como a do triste vídeo.

Range-o-Dente disse...

Achei particularmente interessante a relação que Joana Amaral Dias apontou entre a balbúrdia em disciplina e o "capitalismo internacional selvagem".

Esqueceu-se, como lembrou o orador que se lhe seguiu, de a relacionar também com o aquecimento global.

Na minha opinião, a balbúrdia mental evidenciada por JAD explica ao que chegàmos.

E JAD é psicóloga...???

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Pedro Braz Teixeira disse...

Ó sr. professor! "desiquilibrada"?
Então esta palavra não deriva de equilíbrio?

José Luiz Sarmento disse...

Pedro, leia outros posts meus e verá que por norma escrevo desequilibrado, desequilíbrio, etc. De erros de digitação ninguém está livre. Este passou na revisão: paciência.

Quando me acontece uma coisa parecida numa aula (um erro de ortografia que eu dou com uma certa frequência quando estou a escrever depressa é pôr numa palavra uma letra pertencente à palavra seguinte em que já estou a pensar), os meus alunos já sabem que se me chamarem a atenção eu agradeço.

É assim. Já agora, acho que não vou corrigir o erro: quando mais não seja para lembrar a mim próprio que todos podemos falhar...