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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sábado, 17 de novembro de 2007

The Science of Discworld: uma trilogia

As relações entre a Ciência e a Magia, ou entre a Ciência e a fantasia, sempre me fascinaram. Não é só a famosa boutade de Arthur C. Clarke segundo a qual toda a tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia: é também, por exemplo, o programa de escrita de Isaac Asimov que lhe exigia um conhecimento científico suficiente para que em cada história se admitisse uma e só uma violação das leis da natureza tais como são conhecidas à data. Enquanto se pensou que Mercúrio tinha sempre a mesma face voltada para o Sol era perfeitamente admissível escrever uma história que partisse desse princípio, mas não depois de se ter descoberto que assim não era; e era possível basear uma história na possibilidade de uma nave espacial se deslocar a uma velocidade múltipla da da luz desde que na mesma história não entrassem transmissores de matéria.

Pelo critério de Asimov, a série Star Trek não seria admissível: haveria que escolher entre a warp drive da nave Entreprise e o beam me up, Scotty, do capitão Kirk, mas no mundo de Asimov era proibido utilizar ambas as coisas.

Claro que a Space Opera sempre se esteve nas tintas para estas restrições. Esta liberdade permitia aos seus autores exibir uma ignorância científica muitas vezes cómica.

Até que Terry Pratchett entra em cena. Em vez de admitir uma impossibilidade cientifica em cada história, como Asimov (ou nenhuma, como Arthur C. Clarke), Pratchett compraz-se em inventar um mundo em que nenhuma lei da natureza, tal como as conhecemos, se aplica, mas que apesar disto seja tão coerente quanto a imaginação prodigiosa do autor, aliada a uma considerável cultura científica, o permita.

Pratchett estipula um mundo em forma de disco, assente sobre quatro gigantescos elefantes que por sua vez estão de pé sobre a carapaça duma tartaruga de dimensões planetárias.

Como explicar que neste mundo haja anos e dias, Verão e Inverno, aurora, meio-dia, crepúsculo e noite, diferenças climáticas entre os vários continentes? Pratchett entrega-se a estas explicações com visível prazer: a velocidade da luz, por exemplo, é aqui mais ou menos a mesma que o som; a partícula básica constituinte do Universo não é o átomo, mas o «thaum» (palavra da família de «taumaturgia»: a unidade de magia mais pequena possível). No Departamento de Taumaturgia Aplicada da Universidade de Ankh-Morpork há um grupo de jovens investigadores dedica-se provocar a fissão do thaum e cria por acidente um universo auto-contido (numa esfera de vidro com o tamanho exterior aproximado duma bola de futebol e dimensões interiores muito maiores) em que as pessoas e as coisas ocupam, sem cair, a superfície de mundos esféricos.

Para além desta série de romances, Terry Pratchett foi co-autor, com Ian Stewart e Jack Cohen (um é biólogo e o outro, salvo erro é um químico), duma trilogia de divulgação científica: The Science of Discworld, The Science of Discworld II: The Globe e The Science of Discworld III: Darwin's Watch.

Vale a pena ler.

2 comentários:

on disse...

Uma pequena correcção: O Ian Stewart é matemático.

José Luiz Sarmento disse...

Obrigado pela correcção, meu caro. E já agora: o próprio Terry Pratchett, se não é matemático, imita muito bem. O Discworld tem em comum com os mundos de Lewis Carroll uma perfeita coerência interna.