...............................................................................................................................................

The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
....................................................................................................................................................

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Irracionalismo e proibicionismo

Há duas salas de professores na minha escola: uma para não fumadores e outra para fumadores. É esta que eu frequento, apesar de não fumar.

Há dias dizia-me uma colega minha, puxando do maço de cigarros:

- E isto para os fumadores passivos ainda é muito pior.

Em vão lhe tentei explicar alguns factos simples: que a sala contém várias centenas de metros cúbicos de ar; que mesmo que estivesse fechada um dia inteiro com dezenas de pessoas a fumar continuamente, a concentração de fumo no ar nunca chega a ser igual à que um fumador inala; que mesmo que o fumo exalado seja diferente e mais perigoso do que o fumo inalado (o que nunca ouvi dizer que fosse o caso), ainda assim o fumador activo estaria a respirá-lo juntamente com o fumador passivo, em adição ao fumo que estava a inalar.

E que tanto era assim, que eu próprio, não fumador, não tinha medo nenhum de permanecer na companhia dela naquela sala enorme, de pé direito altíssimo, e cheia de correntes de ar. Tinha medo, era destas.

Nada feito. A colega até é professora de Física, mas mais do que o treino científico pode a doutrina homeopática do fumo.

Desde que seja repetida vezes suficientes.

3 comentários:

Andreu Vallès disse...

Ah, que bom ver alguém a falar das coisas completamente estúpidas que se dizem por aí, por vezes da boca de pessoas inteligentes (sem ironia) que simplesmente têm uma certa tendência para assumir sem pensar tudo o que lhes aparece à frente com um ligeiro ar de ciência (desde que se coadune com a sua visão geral do mundo, claro).

Azul Neblina disse...

Se acha que o fumo passivo não faz mal...

(PS-sou físico de formação)

José Luiz Sarmento disse...

Sei que o fumo passivo faz mal, mas também sei várias outras coisas.
Sei que a probabilidade de o fumo passivo fazer mal é necessariamente e em todos os casos muito mais baixa do que essa probabilidade em relação ao fumo activo, mesmo em espaço fechado.

Sei que o risco varia com as dimensões do espaço, com a sua ventilação e com o tempo de exposição.

Por outras palavras: num cubículo fechado de 15 metros cúbicos e sem ventilação, em que um não fumador permaneça oito horas na companhia de dez fumadores, o risco para ele é muito mais alto do que numa sala ampla e ventilada de 400 metros cúbicos em que ele permaneça durante uma hora na companhia de um só fumador. Penso que se um filólogo de formação entende isto, um físico de formação também tem obrigação de entender.

Falar deste assunto e legislar sobre este assunto como se o risco fosse sempre o mesmo em todas as circunstâncias é desonesto e irracional. E no entanto é precisamente isto que faz a propaganda contra o fumo passivo - a ponto de levar pessoas com formação científica a dizer que ele é pior, repito, pior, que o fumo activo.

Se a segurança absoluta existisse, eu optaria pela segurança absoluta. Como não existe, tento calcular e escolher os riscos (por exemplo, optar entre o risco para a minha saúde física de estar numa sala ampla e ventilada com uma pessoa que fuma mas não me chateia, por um lado, e por outro o risco para a minha saúde mental de aturar várias pessoas que não fumam mas me chateiam desalmadamente).

Mas quero ser eu a optar, não quero que outros optem por mim.