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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Universidade Lda.

Este excerto, apressadamente traduzido, de Diary of a Bad Year de J. M. Coatzee foi publicado originalmente como comentário a este artigo do João Rodrigues, a que cheguei através do Ladrões de Bicicletas.

Sempre foi um pouco mentira que as universidades fossem instituições que se governam a si mesmas. Não obstante, o que aconteceu às universidades nas décadas de 80 e 90 não deixou de ser vergonhoso, já que, sob a ameaça de verem cortados os seus financiamentos, aceitaram ser transformadas em empresas comerciais, nas quais os professores que anteriormente desempenhavam as suas funções em soberana liberdade se transformaram em funcionários, assediados pela obrigação de cumprir quotas sob a vigilância de gestores profissionais. A questão de os antigos poderes do professorado poderem vir a ser recuperados suscita as maiores dúvidas.

No tempo em que a Polónia estava sob o regime comunista, havia dissidentes que davam aulas à noite em suas casas, realizando seminários sobre escritores e filósofos excluídos do cânone oficial (por exemplo, Platão). Não circulava dinheiro, embora possam ter tido lugar outras formas de pagamento. Se quisermos que o espírito da universidade sobreviva, algo de semelhante terá de se realizar nos países em que o ensino terciário foi inteiramente subordinado à lógica dos negócios. Por outras palavras, a verdadeira universidade poderá ter que se mudar para os lugares onde habitam as pessoas e conferir graus académicos cuja única sustentação esteja nos nomes de quem assinar os certificados.

Comentário meu: Excluir Platão do cânone não é muito diferente de excluir John Maynard Keynes; estaremos a chegar a um mundo em que as verdadeiras universidades sejam clandestinas?

6 comentários:

Nan disse...

É nesse espírito que estou a pensar formar uma escola clandestina de latim - todos os anos dou uma ou duas aulas de latim ao 7º ano e os miúdos gostam muito. Se tivessem duas aulas semanis de latim do 7º ao 9º podia ser que entendessem a gramática (a gramática e não essa coisa tenebrosa chamada TLEBS) e dessem menos erros. Mas não, têm «estudo acompanhado», área de projecto» e outras coisas assim, extremamente úeis e produtivas...

JOSÉ LUIZ SARMENTO disse...

Às vezes, Nan, brinco com a ideia de abrir uma escola quando me aposentar. O letreiro sobre a porta diria: ESCOLA DE CONHECIMENTOS INÚTEIS; e por baixo, em letras mais pequenas, estaria inscrito:
«Garantia: os cursos aqui ministrados não são oficialmente reconhecidos nem dão acesso directo ao mercado de trabalho»

Fernando Nabais disse...

Ainda longe da aposentação, tenho a ideia recorrente de abrir uma escola de humanidades, numa tentativa de combater a erosão das literaturas ou do Latim. Um amigo, professor de Filosofia perto da aposentação, está a pensar abrir um Seminário em casa. Estará a começar um movimento clandestino de combate à concepção utilitarista da Educação? Vamos conversando? Pode-se começar pelo Norte, já que sou matosinhense adoptivo.

amelia pais disse...

Se vier a cumorir esse seu sonho, convide-me que eu leccionarei lá...Foi em tempos já bastante long+inquos que também tive:iuma escola (no meu csao poensava ems ecundária) livre.Ficou para trás...porque uma coisa foi sonhá-lo, outra ser incpaz de a levar à prática...

amélia pais disse...

Se vier a cumprir esse seu sonho, convide-me, que eu leccionarei lá...Foi em tempos já bastante longínquos um sonho que também tive:uma escola (no meu caso pensava em secundária) livre.Ficou para trás...porque uma coisa foi sonhá-lo, outra ser incapaz de a levar à prática...

Wegie disse...

Parabéns pelo post! Apropriado às "Fundações" privadas ou público-privadas (já nem consigo distinguir) que se denominam de Universidades em Portugal sob o patrocínio do Ministro Gago.