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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cinco tácticas de acção individual

1 - Trinta e cinco horas de trabalho e nem mais um minuto.

Devia haver cartazes às centenas com estes dizeres em todas as escolas. Há duas componentes do trabalho de um professor que são sagradas e devem ser integralmente cumpridas: a componente lectiva e a componente de trabalho individual. Esta última, porém, está limitada por lei: cada professor deve ter um caderno em que anote a data e a hora em que iniciou e terminou as tarefas nela incluídas; e uma vez atingido o limite previsto na lei, deve pura e simplesmente parar de as executar. Isto será especialmente penoso para os professores cujo brio profissional os leva, por exemplo, a corrigir os testes e a entregá-los rapidamente; mas foi a própria tutela que decidiu que o brio era um luxo e entendeu trocá-lo pela burocracia. Uma coisa é ser brioso, outra coisa é ser trouxa. Se alguns testes forem entregues na semana seguinte, ou no mês seguinte, ou nunca, será porque a tutela assim o quis. O mesmo quanto a matrizes, grelhas, actas, etc.
Todas as outras tarefas serão recusadas sempre que levarem a que as 35 horas sejam excedidas. Se as excederem, o professor dará conhecimento atempado aos órgãos de gestão de que não as executará - e isto inclui a comparência a quaisquer reuniões, de qualquer tipo, para que esteja convocado. Nessa comunicação, o professor comunicará que essa sua ausência não pode dar lugar a marcação de falta - uma vez que o seu horário de trabalho está integralmente cumprido - e que, caso essa falta seja marcada, recorrerá dela junto de todas as instâncias competentes, incluindo os tribunais.


2 - Nunca repor o trabalho perdido por motivo de greve.

Mesmo nas turmas de Ensino Profissional, uma aula perdida por motivo de greve só será reposta contra pagamento de horas extraordinárias. Os órgãos de gestão deverão ser informados a tempo desta decisão do professor, de modo a poderem assegurar por outros meios que os alunos tenham o número de aulas contratado. Não esquecer que há obrigações contratuais entre estes alunos e o Ministério, e há obrigações contratuais entre o Ministério e os professores, mas não há qualquer obrigação contratual entre os professores e estes alunos.


3 - As férias são sagradas.

Se as turmas ficarem por organizar, os horários por elaborar, e as aulas não puderem começar na data prevista, isto será porque o Ministério assim o quis: a carolice tem que passar a ser tabu. Se o Ministério decidir encarregar destas tarefas, em substituição dos professores, os seus "especialistas" - que os tem em número mais que suficiente - pois que o faça: os resultados serão aqueles a que esses especialistas nos têm habituado, isto é, impraticáveis e perfeitamente idiotas.


4 - Reunir periodicamente, turma a turma, com os encarregados de educação.


Informá-los do que está em causa no conflito entre os professores e o Ministério. Dar-lhes a saber que, caso vejam na escola um instrumento para que os seus filhos aprendam e progridam social e economicamente, isso é o que os professores também querem. Mas o Ministério tem em mente exactamente o contrário: fazer das escolas fábricas de mão-de-obra barata e dos alunos, dos filhos deles, matéria-prima.


5 - Não são 120.000 votos, são 120.000 campanhas eleitorais.


A tecnologia está a mudar o mundo; e pela primeira vez desde há trinta anos, está a mudá-lo na direcção certa. A bom entendedor...

1 comentário:

ailhadosamores disse...

4.
Bravo!
"Mas o Ministério tem em mente exactamente o contrário: fazer das escolas fábricas de mão-de-obra barata e dos alunos, dos filhos deles, matéria-prima."

Falta acrescentar uma grande compreensão: a de que não é ESTE nem O NOSSO Ministério, o problema.

Qualquer Ministérios que quisesse lutar contra o que descreve, teria que declarar independência perante as forças EXTERIORES que o dominam, e o forçam.