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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Contra os Sindicatos?

O autor do blog (Re)Flexões acusa-me, como de resto acusa toda a gente que discorde dele, de ser contra os Sindicatos. Na parte que me toca, é falso; e imagino que seja falso também na parte que toca muitos dos outros alvos da mesma acusação.

Não, não sou contra os Sindicatos. Estou filiado num e pago as minhas quotas. E entendo que um dos maiores crimes do neoliberalismo foi "partir a espinha" aos sindicatos, como fez Margaret Thatcher e como tentam fazer desde então todos os que se inspiram nela. E do que eu mais gostava era de ver o maior número possível de trabalhadores inscritos em Sindicatos fortes e independentes - aqui, na China, em todo o mundo.

Ser a favor dos Sindicatos não me obriga, porém, a ser a favor de tudo o que os Sindicatos fazem. E não tenho medo de dizer que estou frontalmente contra algumas actuações que os Sindicatos dos Professores, incluindo aquele a que pertenço, têm tido em Portugal. De algumas destas actuações já escrevi noutros posts; neste vou escrever sobre mais uma.

Durante décadas os Sindicatos habituaram-se a ser os únicos porta-vozes dos Professores; e, de posse deste monopólio, criaram filtros. Das opiniões e da vontade dos professores, só passava para a opinião pública aquilo que os Sindicatos queriam. E não deixavam passar, nomeadamente, quaisquer opiniões ou reivindicações que fossem contra a Pedagogia de Estado à qual a maioria dos pais, professores e alunos sempre se opuseram, mas com a qual as direcções sindicais estavam de acordo por ser, supostamente, uma pedagogia "de esquerda".

Ora acontece que a "Pedagogia de Estado" que vigora em Portugal não é necessariamente de esquerda. A direita mais reaccionária também contribuiu para a implantar, e não foi pouco. Do mesmo modo, as críticas que têm surgido a essa pedagogia não são necessariamente de direita - a não ser na opinião sectária de fjsantos. Muitas delas têm sido feitas por gente de esquerda, na qual me incluo, e sê-lo-ão cada vez mais à medida que se torne cada vez mais óbvio que essa pedagogia se articula muitíssimo bem com o projecto da direita de transformar as pessoas em meros "recursos humanos".

Já o disse aqui, e repito-o para que fique claro: quero ensinar, não quero "qualificar" (para usar uma expressão tão cara à Ministra). Quero formar pessoas, não quero fabricar "recursos humanos" (para usar uma expressão tão cara aos nossos empresários). Quero "liceus", pois claro - onde todos, repito, todos, tenham oportunidade de adquirir uma formação cultural, humanística, filosófica, científica e crítica que lhes crie resistências contra todas as manipulações ideológicas, venham elas de onde vierem: de governos, de partidos, de igrejas, de empresas, dos media, das centrais de propaganda. Não me resigno a ser um fabricante de mão-de-obra dócil, barata, e competente só naquilo que interessa ao patrão.

As circunstâncias em que os Sindicatos têm que funcionar mudaram muito em pouco tempo. Perderam o monopólio da comunicação entre os professores e a opinião pública. Nunca o vão recuperar. Agora têm que escolher: ou se adaptam a esta circunstância e se tornam, como eu desejo, mais fortes, ou não se adaptam e morrem. Mas para se adaptarem vão ter que pagar um preço muito alto: romper não só com o Memorando de Entendimento, mas também com quaisquer veleidades de intervenção em matéria de filosofia educativa.

Os factos são, como se sabe, teimosos. Mas deu-me a impressão, pelo discurso de Mário Nogueira, que os Sindicatos se começam a aperceber de alguns dos factos que apontei acima. Oxalá não me engane.

12 comentários:

Anónimo disse...

E eu, que sou só um professorzeco, como deves imaginar, estou absolutamente de acordo contigo na análise que tu fazes.

Luís Ferreira

Anónimo disse...

Caríssimo José Luiz,
Estou totalmente de acordo e subscrevo.
Sérgio Moreira

Anónimo disse...

fjsantos tem um pensamento de tipo binário. A ministra também o tem. O Sócrates também o tem.
Esta rigidez de pensamento esconde uma enorme fragilidade conceptual, de argumentação. De personalidade (?)
As pessoas que não se fragilizam têm de si a percepção que são fracas. E são-no de facto no sentido que só os mais fortes permitem(-se) duvidar, até de si próprios. E aprender com os outros. Ousam. Tem coragem.

Já desisti de comentar no (re)flexões. É inútil.
Justamente porque o autor não se permite dialogar ou comunicar. Está simplesmente a "falar para si próprio".
E necessita de eco!


Ana

setora disse...

Excelente texto que subscrevo inteiramente.

Quanto ao sr fjsantos não percam o vosso tempo em análises. Não tem por onde se pegue. Conheço-o bem. Estivemos na mesma escola durante largos anos.
No texto do meu blogue "O peso dos pesares" há curta amostra do quanto esse senhor "estima" colegas e alunos. Muito mais pode ser dito.

Também já andou a infectar a minha caixa de comentários. Haja paciência. As máscaras vão caindo.

fjsantos disse...

José Luiz Sarmento,
Devo dizer que me diverte (embora nem me honre nem me lisonjeie) o facto de ter começado este seu post com uma referência a alguém que pelos vistos tanta gente despreza, e acha que nada tem a acrescentar a tão subida ciência, como a que perpassa pelo seu blogue e pelos seus ilustres comentadores.
No entanto, como o seu título remete para uma afirmação que me atribui - que o JLS não gosta de sindicatos - talvez seja conveniente esclarecer o meu ponto de vista.
Acredito que o JLS seja sócio e pague religiosamente as quotas ao sindicato de sua eleição (há-os para todos os gostos e cores partidárias, e até há os que, como no tempo da outra senhora, afirmam que a política deles é o trabalho, que neste caso é a educação). Como se houvesse educação, ensino e escola (pública ou privada) sem haver uma ideia política sobre o que deve ser educar, ensinar e escolarizar.
Evidentemente que este tipo de conversa é algo maçador e confuso para alguns dos comentadores que aproveitaram para me zurzir, mas cada um é para o que nasce e há gente que não vai mais longe... por isso nem todos poderão emular Camões ou Pessoa, embora todos tenham direito a andar na escola, a aprender a ser melhores cidadãos e a poderem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, mais democrática e mais desenvolvida em todas as dimensões.
Mas também sei que a sabedoria popular é clara - há burros(as) velhos(as) que não aprendem, nalguns casos nem as regras mínimas da urbanidade. Mas os actos ficam sempre com as pessoas que os praticam e servem para as qualificar.
A terminar deixo-lhe apenas algumas citações de coisas que não foram escritas por mim:
«José Luiz Sarmento
Novembro 10, 2008 às 3:04 pm · Editar
Já agora: quero crer que os dirigentes sindicais fazem o jogo do Ministério sem se aperceberem disso, caso contrário a palavra “idiotas” seria lisonjeira comparada com o que teria que lhes chamar.»
Este é de sua autoria e mostra claramente o seu amor à causa sindical. O que se segue é da autoria de alguém que se viesse oferecer-me a sua amizade, nunca mais eu precisaria de inimigos:
«A Fenprof o PCP e o Anacleto, promoveram à insignificância a próxima manifestação genuinamente de Professores, marcada para o dia 16 de Novembro.
Novembro 8, 2008 by anti-tretas»
(http://antifalsospedagogos.wordpress.com/2008/11/08/a-fenprof-o-pcp-e-o-anacleto-promoveram-a-insignificancia-a-proxima-manifestacao-genuinamente-de-professores-marcada-para-o-dia-16-de-novembro/)

Anónimo disse...

Para que conste fjsantos, segundo afirmou no blog dele, não é sindicalizado. Há muitos anos.

Criançoide.

Ana

fjsantos disse...

anónima Ana,
para ser mais preciso desde 1986 que deixei de ser sindicalizado, a seguir a um congresso em que participei como delegado da minha escola na altura.
No entanto fiz quase todas as greves convocadas sempre que esteve em causa a defesa da escola pública, contra as políticas de recentralização do ensino (ao contrário de muitos sindicalizados que na hora da verdade se encolhem perante os riscos da luta).

setora disse...

E eu que tão bem conheço este "lutador" "sindicalista", "defensor da escola pública", "participante em quase todas as greves"!
Para rir.

Fliscorno disse...

Gostei de ler. O parágrafo «Durante décadas os Sindicatos habituaram-se a ser os únicos porta-vozes dos Professores...» é particularmente pertinente.

Quanto à sua conclusão, não creio que os sindicatos estejam a operar essa mudança. Algumas pessoas talvez. Mas há uma massa crítica que não muda assim de repente. E a prova está precisamente nas mesmas palavras de ordem que se ouviram na manifestação passada. As mesmas de há 8 meses. Tanta coisa mudou, excepto o discurso e a argumentação.

Anónimo disse...

Fjs é um comunista de peso, só que finge que não é. É um sindicalista ferrenho, mas não paga cotas. É um grevista convicto, mas ataca professores que não pensam como ele insultando-os. Se lhe pedirem para fazer a sua acção sindical de sinal contrário em Reguengos de Monsaraz lá vai ele, com a probidade de um comuna e o sorriso partidário-político do bigodes do MN, de espada à cinta, pronto para bebitar as suas pérolas de mau gosto.
O Fjs cheira mal da boca.

Range-o-Dente disse...

JLS:

"Ora acontece que a "Pedagogia de Estado" que vigora em Portugal não é necessariamente de esquerda. A direita mais reaccionária também contribuiu para a implantar, e não foi pouco."

O método é de esquerda. Que a direita foi a reboque, é verdade. Mas todo o disparate respira a esquerda: tudo pela forma, nada pelo conteúdo. Tudo pelo método, nada pelos fins.

.

meneves@sapo.pt disse...

Valha-me Santo Ambrósio!!! Deixem-se de maluquices, colegas!
O José Luiz Sarmento tem toda a razão no que respeita aos Sindicatos. É óbvio que não têm feito um bom trabalho. Embarcaram facilmente nas políticas educativas dos diferentes governos, quanto a mim incorrectamente. E nem sempre defenderam, convenientemente, os direitos dos professores.
É com desgosto que o digo. Reconheço e defendo a importância da existência de Sindicatos. Fui sócia fundadora do Sindicato dos Professores do Norte (FENPROF) e delegada sindical durante vários anos. Há muito tempo que me sentia insatisfeita. Ainda conservo um desabafo que escrevi, aquando da realização da 3ª Conferência Nacional dos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e do Ensino Secundário, em Aveiro, em Fevereiro de 1997.Não gostei, então, da maneira como foram tratados colegas que se atreveram a dizer o "indizível" à luz das novas teorias pedagógicas.
Sou de esquerda e, para mim, ser sindicalizada foi sempre uma questão de princípio. Aposentei-me, com 18% de redução da pensão (por uma questão de meses) e com 39anos de serviço. Considero que os Sindicatos não acautelaram os direitos daqueles que, como eu estavam à beira da reforma. E garanto-vos que me aposentei por já não conseguir aguentar mais.
Apesar disso, continuo a pensar que é necessário apoiar os nossos representantes legais que são os Sindicatos, só que é preciso demonstrar-lhes que eles existem para cumprir a vontade dos Professores.