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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Dar os bons-dias

Por vezes tenho saudades do grützi. Esta palavra condensa, em alemão suíço, o que em alemão padrão seria toda uma frase: Ich grüsse Sie, eu cumprimento-o. Grützi serve tanto para quando entramos numa loja como para quando nos cruzamos com um desconhecido na rua ou no circuito de manutenção. Dizem as más línguas que o propósito do grützi não é tanto cumprimentar como averiguar, através do sotaque, de que cantão é originária a outra pessoa - ou até de que parte do cantão, já que o Schwytzertütch tem tantas variantes quantas autarquias há na parte germanófona do país.

Nós, latinos, damos os bons dias logo pela manhã: bonjour, buongiorno, bom dia. É uma saudação bonita: mais bonita que a dos suíços e mais generosa que a dos ingleses e alemães, que só desejam bom dia uns aos outros quando o dia já vai a meio. Ou melhor, no caso português: seria uma saudação bonita e generosa se a usássemos.

De modo que, quando comecei a usar regularmente o circuito de manutenção do Parque Maia, fiz questão de dar um sonoro bom-dia a toda a gente com quem me cruzasse. 

A primeira coisa que descobri foi que dizer bom dia a um desconhecido e ouvir bom dia em troca ajuda realmente a que o dia seja melhor. Ou pelo menos a que comece melhor, o que já não é mau. A segunda foi que as respostas se podem classificar nuns poucos tipos. Há quem amarre a cara e não responda, talvez por estar decidido a ter o pior dia possível. Há pessoas assim. Há quem, por surpresa ou acanhamento, enrole uma resposta indistinta. E há quem responda com um bom-dia igualmente sonoro, por vezes com o bónus dum sorriso. Aí, o meu dia melhora.

Só não encontrei ainda quem me desse os bons-dias por iniciativa própria. Ainda não perdi a esperança. E lembro-me dos estudos que indicam o povo português como um dos mais tristonhos e macambúzios da OCDE. Pudera: sem bons dias não pode haver bons anos, e sem bons anos não pode haver vidas felizes.

4 comentários:

on disse...

Bom Dia!

Rui Ferreira disse...

Coisas simples, coisas importantes.

Wegie disse...

Bonito post! Parabéns e já agora boa noite e bons sonhos.

Marceli disse...

Parabéns pelo blog e pelo conteúdo!


Bjs,

Marceli
http://dicadelivro.com.br/