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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Quem tramou Manuela Moura Guedes?

Enumero as hipóteses materialmente possíveis sem me preocupar em as ordenar por grau de probabilidade:

1. O Governo e/ou o Partido Socialista pressionaram a direcção da TVI com propósitos censórios.

2. A Direcção da TVI praticou auto-censura para não desagradar ao Governo.

3. A Direcção da TVI decidiu por critérios puramente empresariais.

4. A decisão foi tomada em Madrid para favorecer o PS.

5. A decisão foi tomada em Madrid para proteger Zapatero.

6. A decisão foi tomada em Madrid para tramar José Sócrates.

7. Foi um facto político criado por adversários do PS para deixar ficar mal o Governo.

Há argumentos a favor e contra cada uma destas hipóteses.

Contra a primeira, tem-se dito que ninguém no PS seria tão estúpido que fosse dar assim um tiro no pé. A favor dela, pode-se argumentar que não é raro, em política, pessoas inteligentes (e Sócrates não o é especialmente) cometerem erros de tal maneira estúpidos que causam vertigens; que nunca é de pôr de parte, em nenhuma organização, a possibilidade de algum colaborador estupidamente zeloso tomar uma iniciativa isolada que prejudique gravemente a estratégia delineada; e que é possível, pelo menos em tese, que a matéria em causa fosse de tal gravidade que o tal tiro no pé fosse, para o PS, um mal menor.

Contra a segunda hipótese, pode-se perguntar porque é que a direcção da TVI, depois de fazer tudo para atacar o actual Governo, sentiu tão súbita necessidade de lhe agradar. A favor dela há a possibilidade de lhe ter sido feita uma oferta daquelas que não se podem recusar, mas neste caso estaremos a regressar à primeira.

Contra a terceira, cabe perguntar que critério empresarial foi esse, tão urgente que não pudesse esperar três semanas.

A quarta hipótese não tem nada, que eu saiba, que a sustente ou desminta: é apenas uma possibilidade.

A quinta tem contra ele o ser um pouco rebuscada, mas em política nunca se sabe.

A sexta tem contra ela a dificuldade de imaginar uma razão pela qual a Direcção da Prisa quisesse tramar Sócrates ou o PS; é mais plausível, para quem tem, como eu, informação insuficiente, que o quisesse ajudar.

Contra a sétima milita o facto de não sabermos que vias teria a oposição ao seu dispor para pressionar a direcção da TVI; a favor dela milita a resposta que parece mais óbvia à pergunta quid bonum.

Considerar uma hipótese mais provável do que as outras seis pode ser resultado duma intuição ou de um parti pris; mas isto é bom para cada um se convencer a si mesmo, não para convencer mais ninguém.

Certo, certo é que nenhum dos intervenientes, ou hipotéticos intervenientes, nesta lamentável história é flor que se cheire. É um daqueles casos em que nem mesmo os inocentes merecem a comiseração ou o apoio do cidadão comum. Fosse diferente a correlação de forças, ou a circunstância, ou a oportunidade - a vítima e o criminoso, quaisquer que eles sejam, facilmente trocariam de lugar.

7 comentários:

Francisco disse...

Caro JLS é possível elaborar o dobro dos cenáros que está a citar e é possível estabelecer uma estabelecer causalidade entre o PSD e MMG e decisão de alterar o modelo do jn6.
Basta considerar que MMG não é isenta (é ex-deputada CDS/PP) e que a Prisa está refém de elevados compromissos bancários com grandes requisitos de curto prazo.
A questão que pode ser respondida é que há uma forma muito expedita de eliminar as consequências de não haver mais jn6 com MMG - é deixar MMG ter palco para dizer o que quer dizer. A partir daí o caso interessa mas os dividendos que advinham da limitação da liberdade de expressão deixam de existir.

Francisco disse...

Caro JLS é possível elaborar o dobro dos cenáros que está a citar e é possível estabelecer uma estabelecer causalidade entre o PSD e MMG e decisão de alterar o modelo do jn6.
Basta considerar que MMG não é isenta (é ex-deputada CDS/PP) e que a Prisa está refém de elevados compromissos bancários com grandes requisitos de curto prazo.
A questão que pode ser respondida é que há uma forma muito expedita de eliminar as consequências de não haver mais jn6 com MMG - é deixar MMG ter palco para dizer o que quer dizer. A partir daí o caso interessa mas os dividendos que advinham da limitação da liberdade de expressão deixam de existir.

pedro-na-escola disse...

8. Ninguém tramou MMG... esta foi uma manobra indiscreta mas eficaz de fazer disparar as audiências e as atenções, com consequências óbvias ao nível das receitas do canal TVI... ;-)

José Moreira Tavares disse...

Gostei da argumentação. Exercício notável de apuramento de responsabilidades, sem cair em generalizações de senso comum ou dogmas.

Anónimo disse...

O caso é que enquanto se debatem estes disparates não se falam de programas eleitorais, não se pedem contas, não se contrapõem argumentos. Esta campanha eleitoral está muito próxima do grau zero da política que, isso sim, é uma ameaça à Democracia.

carmen disse...

Leio teus textos e percebo as nossas semelhanças, neste caso, infelizmente......
Gostei imensamente do teu blog, parabéns. Vou andar a ler mais coisas.Se puderes faça-me uma visita.
Abraços brasileiros

Pedro Sarmento disse...

Não se alguém terá culpa no cartório, ou se a culpa não será exclusiva de MMG. Acho que ela era como foi Vale e Azevedo, enquanto presidente do Benfica foi intocável, depois foi o que se viu. Ou seja logo depois de JEM sair de Director Geral da TVI alguém lá dentro chegou À conclusão de que de facto de Jornalismo aquele Jornal Nacional tinha muito pouco. Lia trás que MMG tb não era isenta porque tinha sido deputada do CDS/PP,talvez fosse isso, mas para mim isso pouco importa. Acho que como Jornalista valia zero, e as audiências dispararam log de seguida. Jogada Politica, Jogada empresarial, quem sbe que fale. Eu sinceramente fiquei aliviado por não tornar a ver aquela bocarra dizer asneiras, mas também é só a minha opinião que vale o que vale.
Um abraço
Pedro Sarmento