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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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sexta-feira, 21 de março de 2008

Silêncio cúmplice

Daqui a bocado tenciono escrever um texto alargado sobre a agressão à professora da escola Carolina Michäelis. Para já observo apenas que o silêncio da ministra da educação sobre este caso não pode ser outra coisa a não ser um silêncio cúmplice.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Eu não exijo a demissão da ministra

É uma questão de lucidez, e de não fulanizar as coisas. Tenho a perfeita noção de que o problema não é Maria de Lurdes Rodrigues, nem é Valter Lemos, nem é Jorge Pedreira: o problema é o ministério e as suas metástases.

E é também a política do espectáculo do Sr. José Sócrates, que serve só a oligarquia e consiste fundamentalmente em revestir com um verniz de modernidade um imenso balão cheio de ar.

terça-feira, 18 de março de 2008

Os anti-intelectuais

O anti-intelectualismo é uma doença tenaz que assume muitas formas e muitos graus de gravidade. Durante a revolução cultural chinesa chacinaram-se os artistas, os professores, os físicos, os matemáticos, os astrónomos. Nos EUA os candidatos a cargos públicos, se são homens ou mulheres de livros e de cultura, ocultam cuidadosamente esta condição, que joga contra eles nas urnas. Em Portugal despreza-se a cultura "livresca" e celebram-se os heróis que enriqueceram sem "terem estudos".

Neste ambiente não admira que aos sucessivos ministérios ditos "da educação" sempre tenha sido indiferente que os professores ensinem bem ou mal, ou que saibam ou não a matéria que lhes compete ensinar. Não admira que Maria de Lurdes Rodrigues faça aprovar e imponha às escolas um Estatuto da Carreira Docente em que se atribuem aos professores 29 tarefas entre as quais não se conta ensinar. Nem admira que a mesma governante imponha um documento de avaliação dos professores que contempla catorze critérios - entre os quais mais uma vez não se conta o conhecimento que o professor tem da matéria nem o grau de competência com que a ensina.

E também não admira, infelizmente, que esta ministra, com estas políticas, seja uma heroína para uma parte da opinião pública e da opinião publicada.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

As causas da guerra

Os professores têm o direito e o dever de ensinar. Os alunos têm o direito e o dever de aprender. O Ministério está-se nas tintas para tudo que não seja o espectáculo.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sucesso, eficácia, honestidade

Um dos professores que mais me marcaram, o saudoso Prof. Paulo Quintela, não gostava que lhe falassem em «sucesso» na acepção de «êxito». Isso é anglicismo, dizia. Em Português, sucesso é parto! Peço perdão à memória do meu querido Professor, mas nesta mensagem, em cedência à pressão do jornalês, do politiquês e do empresarialês, vou usar a palavra «sucesso» como sinónima de «êxito».

Erram os jornalistas, os políticos e os empresários quando falam de sucesso em abstracto. O sucesso é sempre concreto. Somos bem-sucedidos (ou não somos) num empreendimento que sabemos qual é. Se temos sucesso, temos sucesso nesse empreendimento. Se andamos na escola e aprendemos, temos sucesso. Se andamos na escola e não aprendemos, fracassamos. A não ser que andemos lá para outra coisa.

Outra noção muito concreta e relativa que é usada, na língua de trapos das nossas elites, como se fosse abstracta e absoluta, é a eficácia. A quem me fala abstractamente em eficácia, costumo perguntar o que é mais eficaz: um martelo ou uma aspirina. Para pregar um prego é o martelo, para combater uma dor de cabeça é a aspirina, mas não há nenhum critério de eficácia abstracta e universal pelo qual seja possível comparar as duas coisas.

O sucesso e a eficácia são preocupações inseparáveis da profissão docente. Se o seu emprenndimento, o seu propósito, consistem em ensinar, então os instrumentos e os métodos que utiliza são tanto mais eficazes quanto melhor lhe permitem que ensine. E o sucesso do professor é a aprendizagem dos alunos.

Ou pelo menos era assim no tempo em que a profissão docente era uma profissão nobre e honesta, antes de sucessivos ministros, com destaque para a actual titular, a terem transformado num ignóbil e bisonho carreirismo. Agora, com o Estatuto da Carreira Docente, com a avaliação dos professores tal como está decidida, com as certificações «de aviário», os cursos profissionais e as passagens administrativas, com a nova gestão, e com um Estatuto do Aluno que nem a ser assíduo o obriga, tudo mudou. E mudou para pior.

Em lugar do ensino e da aprendizagem, temos hoje em vigor uma meretriciosa encenação do sucesso, na qual a tutela espera que todos os professores colaborem. E quem se recusar a colaborar por querer exercer honestamente a profissão pagará essa veleidade com a estagnação na carreira.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ana Benavente

Confesso que não tenho especial simpatia por Ana Benavente. Ou, para ser franco: confesso que não gosto mesmo nada de Ana Benavente. Considero que Ana Benavente tem graves responsabilidades em pelo menos dois dos três vícios essenciais que deformam o sistema de ensino em Portugal: a burocracia gigantesca, o delírio pedagógico e o incivismo endémico.

Não ignoro que a jusante destes três vícios vêm centenas de outros, decorrentes deles; nem que Ana Benavente, enquanto teve responsabilidades governativas, trabalhou arduamente e lutou denodadamente conta estes; mas de que serve lutar contra efeitos quando se ignoram, ou até se incentivam, as causas?

Nem ignoro que os vícios fundamentais do sistema já estavam instalados quando Ana Benavente entrou em cena, pelo que não a podemos culpar de os ter originado. Mas quando chegou a sua oportunidade deu a cara por eles, e deu-a convictamente: não a podemos absolver duma responsabilidade que ela própria fez questão de assumir.

Porque não gosto dela, causa-me alguma perplexidade vê-la criticar Maria de Lurdes Rodrigues, de quem gosto ainda menos. Ainda se Benavente criticasse Rodrigues pelas más razões... Mas não, critica-a pelas boas: pela burocratização do sistema, pela proletarização dos professores, pelo despotismo autista na acção. Contrariamente ao Paulo Guinote, do Umbigo, não consigo aplicar a este caso a lógica do «inimigo do meu inimigo». Nem mesmo com as reservas que ele põe nem com a relutância que ele declara.

No cenário que Ana Benavente ajudou a criar, quer agora Maria de Lurdes Rodrigues armar um espectáculo de autoridade e rigor, que convence os néscios. Lembra um barão medieval que escolhesse a pedra mais pesada e mais dura para construir, sobre um pântano fétido e mole, a sua fortaleza. É claro que a fortaleza se vai afundar, e tanto mais rapidamente quanto mais pesada e mais dura for a pedra de que é feita. Mas muito antes de o torreão mais alto desaparecer no lodo, largando com um som molhado uma última bolha de gás tóxico, já o último habitante terá fugido, ou morrido com alguma febre maligna.

Seria preciso drenar o pântano. Não contemos para isso com Maria de Lurdes Rodrigues. Nem com Válter Lemos ou Jorge Pedreira. Nem, lamento dizê-lo, com as Anas Benaventes que continuam a pulular pelo Mined.