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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O Ministério é o problema

Graças a um comentário do Jorge do Fliscorno ao meu artigo anterior, fui dar com este artigo do Desidério Murcho, que me passou despercebido quando apareceu no PÚBLICO há cerca de oito meses. Há anos que defendo que qualquer melhoria real e perceptível do nosso sistema de ensino passa necessariamente pela extinção do Ministério da Educação. O problema não é a Ministra, é o Ministério - embora o Desidério tenha razão quando escreve que a senhora que actualmente está ministra é uma boçalidade.
É bom saber que a minha ideia anda também noutras cabeças, incluindo algumas bem mais autorizadas do que a minha. Talvez um dia esteja em todas.
Só não concordo com o Jorge quando ele afirma que a extinção do Ministério enfraqueceria o Estado: enfraqueceria, sim, a burocracia estatal, que não é exactamente a mesma coisa; e enfraqueceria toda uma rede de interesses, alguns deles privados, que parasita o sistema. Quanto ao Estado (entenda-se aqui Estado Democrático), ficaria talvez fortalecido.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Silêncio cúmplice

Daqui a bocado tenciono escrever um texto alargado sobre a agressão à professora da escola Carolina Michäelis. Para já observo apenas que o silêncio da ministra da educação sobre este caso não pode ser outra coisa a não ser um silêncio cúmplice.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Eu não exijo a demissão da ministra

É uma questão de lucidez, e de não fulanizar as coisas. Tenho a perfeita noção de que o problema não é Maria de Lurdes Rodrigues, nem é Valter Lemos, nem é Jorge Pedreira: o problema é o ministério e as suas metástases.

E é também a política do espectáculo do Sr. José Sócrates, que serve só a oligarquia e consiste fundamentalmente em revestir com um verniz de modernidade um imenso balão cheio de ar.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Rupturas

Rompeu-se a confiança entre a ministra e os professores, disse o Professor Adriano Moreira com carradas de razão. E isto é muito grave, acrescentou: torna muito difícil, se não impossível, qualquer desenvolvimento positivo na situação do ensino em Portugal.

Gravíssimo, de facto. Mas tem solução. Como último recurso poder-se-ia dissolver o ministério: não faltam países onde não há ministério da educação e onde os sistemas de ensino funcionam melhor que o nosso.

Mas Maria de Lurdes Rodrigues não rompeu só a relação de confiança entre ela própria e os professores: rompeu também a relação de confiança entre os professores e a sociedade. E para esta ruptura não há solução nem emenda, é uma catástrofe completa que daqui a décadas ainda afectará negativamente o ensino em Portugal.

Maria de Lurdes Rodrigues tem já assegurado o seu lugar na História. Pela minha parte, não lho invejo.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

As causas da guerra

Os professores têm o direito e o dever de ensinar. Os alunos têm o direito e o dever de aprender. O Ministério está-se nas tintas para tudo que não seja o espectáculo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ana Benavente

Confesso que não tenho especial simpatia por Ana Benavente. Ou, para ser franco: confesso que não gosto mesmo nada de Ana Benavente. Considero que Ana Benavente tem graves responsabilidades em pelo menos dois dos três vícios essenciais que deformam o sistema de ensino em Portugal: a burocracia gigantesca, o delírio pedagógico e o incivismo endémico.

Não ignoro que a jusante destes três vícios vêm centenas de outros, decorrentes deles; nem que Ana Benavente, enquanto teve responsabilidades governativas, trabalhou arduamente e lutou denodadamente conta estes; mas de que serve lutar contra efeitos quando se ignoram, ou até se incentivam, as causas?

Nem ignoro que os vícios fundamentais do sistema já estavam instalados quando Ana Benavente entrou em cena, pelo que não a podemos culpar de os ter originado. Mas quando chegou a sua oportunidade deu a cara por eles, e deu-a convictamente: não a podemos absolver duma responsabilidade que ela própria fez questão de assumir.

Porque não gosto dela, causa-me alguma perplexidade vê-la criticar Maria de Lurdes Rodrigues, de quem gosto ainda menos. Ainda se Benavente criticasse Rodrigues pelas más razões... Mas não, critica-a pelas boas: pela burocratização do sistema, pela proletarização dos professores, pelo despotismo autista na acção. Contrariamente ao Paulo Guinote, do Umbigo, não consigo aplicar a este caso a lógica do «inimigo do meu inimigo». Nem mesmo com as reservas que ele põe nem com a relutância que ele declara.

No cenário que Ana Benavente ajudou a criar, quer agora Maria de Lurdes Rodrigues armar um espectáculo de autoridade e rigor, que convence os néscios. Lembra um barão medieval que escolhesse a pedra mais pesada e mais dura para construir, sobre um pântano fétido e mole, a sua fortaleza. É claro que a fortaleza se vai afundar, e tanto mais rapidamente quanto mais pesada e mais dura for a pedra de que é feita. Mas muito antes de o torreão mais alto desaparecer no lodo, largando com um som molhado uma última bolha de gás tóxico, já o último habitante terá fugido, ou morrido com alguma febre maligna.

Seria preciso drenar o pântano. Não contemos para isso com Maria de Lurdes Rodrigues. Nem com Válter Lemos ou Jorge Pedreira. Nem, lamento dizê-lo, com as Anas Benaventes que continuam a pulular pelo Mined.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Plus ça change, plus c'est la même chose

Carlos e Ega foram os derradeiros a sair, depois de um brandy and soda, de que a condessa partilhou, como inglesa forte. E em baixo, no pátio, acabando de abotoar o paletó, Carlos pôde enfim soltar a perguntar que lhe faiscara nos lábios toda a noite:
- Ó Ega, quem é aquele homem, aquele Sousa Neto, que quis saber se em Inglaterra havia também literatura?
Ega olhou-o com espanto:
- Pois não adivinhaste? Não deduziste logo? Não viste imediatamente quem neste país é capaz de fazer essa pergunta?
- Não sei... Há tanta gente capaz...
E o Ega radiante:
- Oficial superior de uma grande repartição do Estado!
- De qual?
- Ora de qual! De qual há-de ser?... Da Instrução Pública!

Eça de Queiroz, Os Maias

Lembrei-me logo do Valter Lemos, nem eu sei bem porquê.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Recado para Maria de Lurdes

Se tratares os homens como escravos, muitos ficarão com alma de escravos. E alguns ficarão com alma de feras.

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

«Perdi os professores, mas tenho a população»

(Maria de Lurdes Rodrigues)

Primeiro: em democracia não há população, há cidadãos.
Segundo: também já está a perder os cidadãos.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Maria Antonieta

(Publicado em 13.12.06 no meu blogue Lyceum)

Num artigo anterior comparei Maria de Lurdes Rodrigues a Maria Antonieta, de quem ficou famosa a frase "comam brioche" ao ser informada de que a arraia miúda de Paris se manifestava por não ter pão.

"Se não têm pão, comam brioche:" a frase, aparentemente dum cinismo intolerável, pode não ter sido assim tão cínica. É possível que a jovem rainha de França ignorasse sinceramente que a falta de pão pudesse ser para algumas pessoas mais do que uma inconveniência momentânea, facilmente suprida pela abundância de bolos. Já o "eles que chamem a polícia" de Maria de Lurdes Rodrigues a propósito da violência sobre os professores é com certeza bem menos inocente: a Avenida 5 de Outubro não está tão isolada da rua como Versailles de Paris.

Retomo a comparação a propósito de outra frase da Ministra, que eu próprio testemunhei. De visita a uma escola secundária situada num edifício antigo, muito bonito e muito frio, comentou:

- Não sei como é que os alunos aguentam este frio.

- Os alunos e os professores, senhora Ministra - lembrou-lhe alguém.

Maria de Lurdes fechou a expressão:

- Ah, os professores... Se vocês gerissem melhor os recursos, podiam comprar aquecedores.

É difícil explicar a quem não conheça as nossas escolas a monstruosa injustiça destas palavras. Quem diz uma enormidade destas junta o insulto à injúria. Se a senhora queria dizer que o orçamento do Ministério da Educação anda muito mal gerido e que se desperdiçam muitos milhões de euros, tem razão. Mas não é "no terreno" que esse desperdício se verifica, é no aparelho administrativo do Ministério. O dinheiro que falta para comprar caldeiras, canalizações, radiadores e gás sobra para pagar aos milhares de burocratas e "pedagogos" que todos os dias fazem crescer mais um pouco a montanha de lixo legislativo que pesa sobre as escolas.