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The aim of life is appreciation; there is no sense in not appreciating things; and there is no sense in having more of them if you have less appreciation of them.


..........................................................................................................Gilbert Keith Chesterton
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domingo, 30 de setembro de 2012

O genial António Borges

António Borges acaba de se afirmar como um dos pensadores mais originais da actualidade: merecedor, quem sabe, do Prémio Nobel da Economia. Respondeu a nada menos que uma das questões que mais dividem não só os portugueses, como a generalidade dos habitantes do planeta: Afinal quem é que "cria" (ou "produz", para sermos mais modestos) a riqueza?

Uma das respostas em confronto é que quem produz a riqueza são os empresários. E de facto: se ninguém empreendesse a produção, nada seria produzido.

A outra resposta é que quem produz a riqueza são os trabalhadores, e isto também faz sentido: se ninguém desse seguimento, pelo trabalho concreto, ao que os empresários empreendem, também nenhuma riqueza seria produzida.

António Borges desfaz este dilema mediante uma teoria cuja originalidade e arrojo nunca serão suficientemente enaltecidas: quem produz a riqueza não são nem os empresários nem os trabalhadores, mas sim os economistas. Aguardam-se novas declarações que desenvolvam esta tese, mas será de admitir que os maiores produtores de riqueza, entre os economistas, são aqueles que, como ele, se especializaram em elaborar produtos financeiros capazes de substituir a moeda nas transacções.

É certo que este processo de criação de riqueza se deparou, em 2007 / 2008, com um problema inesperado: a riqueza assim criada tem uma arreliadora tendência, como o ouro das fadas, para se dissolver no ar quando a luz do Sol incide sobre ela. Mas estou certo que resolvê-lo está ao alcance de gigantes intelectuais como António Borges.

E, quando estiver resolvido, o Mundo não precisará mais nem de empresários, nem de trabalhadores. Tudo aquilo que desejarmos ou de que precisarmos ser-nos-á fornecido gratuitamente pelo Goldman Sachs.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Os Donos de Portugal e os Donos da Notícia

Por vontade dos donos da notícia, Os Donos de Portugal seria um fracasso de vendas. Numa pesquisa sumária encontrei nos media apenas duas referências a este estudo: Um resumo alargado na Visão e um artigo de Óscar Mascarenhas no DN, significativamente intitulado Os Donos do Silêncio. Tanto quanto sei, este silêncio rigoroso foi observado até pelo Professor Marcelo, que não é propriamente um homem circunspecto.

Em contrapartida, encontrei centenas de referências na blogosfera, incluindo muitos sites que não conhecia e fiquei a conhecer. Talvez isto explique o facto de o livro estar esgotado na FNAC quando o tentei comprar pela primeira vez, e de estar em terceiro lugar numa tabela de vendas da Bertrand, logo a seguir a'O Anjo Branco de J.R. dos Santos e Como o Estado Gasta o Nosso Dinheiro de C. Moreno. Feito notável se considerarmos que dos três títulos, só o primeiro foi objecto duma campanha de divulgação intensa por parte da comunicação social; e um feito que ajuda a explicar a hostilidade à blogosfera que o comentariado português, oficial ou oficioso, ocasionalmente exprime. Os "donos da notícia" referidos por Elsa Costa e Silva são no geral as mesmas pessoas que integram os "donos de Portugal", e não gostam muito de ver circular informação que não controlam.

Não é teoria da conspiração, é conspiração mesmo: uma conspiração do silêncio sobre um livro suficientemente importante para poder influenciar durante várias décadas o debate político em Portugal. A identificação e caracterização da oligarquia portuguesa, a análise pormenorizada dos seus comportamentos económicos e opções políticas, são um gato que não voltará a entrar no saco; e, por mais que o escondam, ele continuará a miar e a dar sinal de si. O tema da oligarquia veio para ficar, e a partir de agora nada será como dantes no debate cívico em Portugal.

Há duas coisas que Os Donos de Portugal não é: não é um livro descomprometido politicamente, mas também não é um panfleto político, ideológico ou partidário. Se fosse um panfleto, seria fácil de atacar: qualquer dos nossos "fazedores de opinião" se sentiria com forças e competência para o fazer. Mas é um estudo rigoroso, cuidadoso, fundamentado. Como qualquer estudo sério, pode ser criticado: dificilmente no que respeita a tese central, com mais facilidade no que respeita o acessório. Mas para tanto seria necessária uma refutação igualmente sólida, e pelos vistos ninguém tem tempo, ou disponibilidade, ou energia ou competência para a elaborar. E quem tem competência acha, sem dúvida, que quando não se pode dizer mal é melhor não dizer nada.

E este contraditório faz falta: pela minha parte, gostaria de saber o que Vasco Pulido Valente, por exemplo, tem a dizer sobre a matéria.